Um tsunami meteorológico voltou a atingir o litoral de Santa Catarina na segunda-feira, 21 de setembro de 2026. O fenômeno foi observado inicialmente na Praia do Cardoso, em Laguna, e depois alcançou outras áreas do município, além de pontos costeiros de Jaguaruna e Imbituba. A ocorrência foi divulgada pela Agência Brasil em 23 de setembro.
O episódio provocou uma elevação rápida e intensa do nível do mar, surpreendendo moradores e afetando estruturas e equipamentos próximos à costa. Redes de pesca foram arrastadas, embarcações acabaram deslocadas e parte do muro de uma igreja local foi derrubada pela força da água. Segundo as informações divulgadas, não houve registro de feridos, e as embarcações atingidas foram recuperadas.
O que provocou o tsunami meteorológico em Santa Catarina
O meteotsunami, também chamado de tsunami meteorológico, é associado a mudanças rápidas nas condições atmosféricas. No caso registrado no litoral catarinense, a elevação do mar ocorreu durante a passagem de uma linha de instabilidade, acompanhada por alterações na pressão atmosférica e ventos fortes.
De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, as rajadas de vento sul variaram entre 60 km/h e 90 km/h. Marégrafos instalados em Imbituba e Laguna registraram a mudança repentina no nível da água, ajudando a identificar a movimentação incomum no litoral.
O fenômeno depende da combinação entre as condições atmosféricas, o comportamento do mar e as características geográficas da costa. Por isso, pode ocorrer de maneira rápida e ser difícil de prever com antecedência. Apesar de usar a palavra “tsunami”, o evento não é provocado por terremotos, como acontece nos tsunamis de origem sísmica.
Praias e comunidades pesqueiras foram afetadas
A Praia do Cardoso, em Laguna, foi o primeiro local citado no registro do fenômeno. A área está entre os pontos do litoral sul de Santa Catarina onde a pesca e outras atividades ligadas ao mar fazem parte da rotina de moradores e trabalhadores.
Depois da ocorrência inicial, a movimentação da água também foi percebida em outras áreas de Laguna e em trechos costeiros de Jaguaruna e Imbituba. O deslocamento de redes, equipamentos e embarcações mostra como uma elevação repentina do mar pode atingir estruturas instaladas próximas à faixa costeira.
O episódio de setembro de 2026 também chamou atenção por repetir uma ocorrência registrada na mesma Praia do Cardoso em novembro de 2023. A repetição não significa que o fenômeno aconteça regularmente, mas reforça a importância do monitoramento das condições marítimas e atmosféricas na região.
Diferença entre meteotsunami, ressaca e tsunami
O tsunami meteorológico tem origem em perturbações atmosféricas que alteram rapidamente o nível do mar. Já o tsunami tradicional está relacionado, principalmente, a eventos sísmicos submarinos capazes de deslocar grande volume de água. São fenômenos diferentes, embora ambos possam provocar mudanças expressivas na costa.
A ressaca, por sua vez, está associada à agitação marítima e à presença de ondas mais fortes, geralmente relacionadas à atuação de sistemas meteorológicos. Em determinadas situações, ventos intensos, baixa pressão e características do litoral podem contribuir para impactos semelhantes, mas a classificação depende das condições que deram origem ao evento.
Para moradores, pescadores, turistas e praticantes de atividades náuticas, a recomendação é acompanhar os avisos oficiais durante períodos de mar agitado, vento forte ou risco de ressaca. A Defesa Civil de Santa Catarina publica alertas relacionados a condições marítimas e aos riscos para a navegação, a pesca, os esportes no mar e o banho de praia.
Setembro teve episódios de tempo severo
O tsunami meteorológico ocorreu em um mês marcado por diferentes episódios de instabilidade no Centro-Sul do Brasil. O Instituto Nacional de Meteorologia informou que setembro de 2026 registrou uma sequência de eventos de tempo severo, incluindo chuvas intensas, vendavais e outros fenômenos atmosféricos em estados como Santa Catarina.
Embora o meteotsunami seja considerado raro, o caso reforça a necessidade de atenção às mudanças rápidas no tempo e no mar. Em áreas costeiras como Laguna, Jaguaruna e Imbituba, o acompanhamento dos comunicados oficiais pode ajudar a reduzir a exposição de pessoas e equipamentos quando houver sinais de agitação marítima.
Fontes da apuração
As informações sobre o fenômeno, os municípios atingidos, os impactos e os registros dos marégrafos foram divulgadas pela Agência Brasil. Os dados sobre observação marítima foram consultados na Defesa Civil de Santa Catarina, e o contexto de tempo severo foi baseado em informações do Instituto Nacional de Meteorologia.
