Uma fêmea de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) foi avistada em diferentes pontos das praias de São Francisco do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, durante a primeira semana de outubro de 2026. O animal foi acompanhado por uma equipe da Universidade da Região de Joinville (Univille), responsável pelo trecho 5 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
De acordo com a Prefeitura de São Francisco do Sul, o registro é considerado inédito no município para um indivíduo vivo da espécie desde o início do monitoramento do PMP-BS, em 2015. A presença do animal chamou a atenção por se tratar de uma espécie que aparece ocasionalmente em trechos do litoral brasileiro durante seus deslocamentos.
Registro foi identificado por marcas naturais
A identificação da fêmea foi feita a partir de marcas naturais observadas no corpo do animal. As características foram comparadas com registros fotográficos, procedimento que permitiu à equipe reconhecer o indivíduo durante o acompanhamento nas praias catarinenses.
O monitoramento foi realizado por profissionais ligados à Univille, que atua no trecho 5 do PMP-BS. O projeto acompanha a fauna marinha e costeira em uma área da Bacia de Santos, reunindo informações sobre animais encontrados ou avistados na faixa litorânea. Esses dados ajudam a documentar a presença de espécies e seus deslocamentos ao longo da costa.
Na manhã de 8 de outubro, a fêmea já não foi localizada durante o monitoramento. A ausência indica que o animal provavelmente deixou a região, sem que houvesse necessidade de intervenção para retirá-lo da praia ou devolvê-lo ao mar. A prefeitura divulgou o caso na mesma data.
Por que elefantes-marinhos aparecem nas praias brasileiras?
O elefante-marinho-do-sul utiliza diferentes áreas costeiras durante seus deslocamentos, e aparições eventuais podem ocorrer em praias brasileiras. Quando um indivíduo chega à faixa de areia, a permanência no local não significa necessariamente que ele esteja encalhado ou precise ser levado de volta à água.
A avaliação deve ser feita por equipes especializadas, capazes de observar as condições do animal e decidir se alguma ação é necessária. No caso de São Francisco do Sul, o acompanhamento realizado pelo PMP-BS permitiu registrar a passagem da fêmea, identificar o indivíduo e acompanhar sua permanência até que ele deixasse de ser encontrado.
O episódio catarinense ocorre em um contexto de atenção crescente a animais marinhos que chegam às praias. Em 2 de outubro de 2026, outro elefante-marinho atraiu banhistas na Praia de São Conrado, no Rio de Janeiro. Na ocasião, segundo a Agência Brasil, o Corpo de Bombeiros orientou as pessoas a manter distância e evitar o contato com o animal.
O que fazer ao encontrar um animal marinho na areia?
A principal recomendação para moradores e turistas é não tocar, alimentar ou tentar empurrar o animal de volta para o mar. Também é importante evitar aglomerações, manter distância e não bloquear o caminho das equipes responsáveis pelo atendimento e pelo monitoramento.
O contato direto pode causar estresse ao animal e oferecer riscos às pessoas, especialmente quando se trata de um indivíduo debilitado, assustado ou em comportamento defensivo. Fotografias e vídeos também devem ser feitos sem aproximação excessiva e sem tentar chamar a atenção do animal.
Em situações semelhantes, a orientação é acionar os responsáveis pelo monitoramento da região ou os órgãos ambientais locais. A atuação especializada permite diferenciar um animal em repouso de um caso que exige atendimento, além de registrar informações importantes para a conservação da fauna costeira.
A passagem da fêmea por São Francisco do Sul reforça a importância do acompanhamento contínuo das praias do litoral norte de Santa Catarina. Mesmo quando o animal deixa a área por conta própria, o registro contribui para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência de espécies marinhas e sobre o uso das praias brasileiras durante seus deslocamentos.
