Fenômeno raro elevou rapidamente o nível do mar em três cidades e reforça a importância de acompanhar alertas antes de aproveitar a costa.
O litoral de Santa Catarina foi surpreendido, na manhã de 21 de setembro, por um fenômeno raro que fez o mar avançar rapidamente sobre áreas costeiras de Jaguaruna, Laguna e Imbituba. O episódio foi confirmado pela Defesa Civil estadual como um tsunami meteorológico, também chamado de meteotsunami, e provocou alagamentos, acúmulo de água e areia, danos em estruturas e deslocamento de embarcações. Não se trata, porém, de um tsunami provocado por terremoto: o fenômeno está relacionado a alterações bruscas na pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o oceano. (Agência Brasil)
- Fenômeno raro elevou rapidamente o nível do mar em três cidades e reforça a importância de acompanhar alertas antes de aproveitar a costa.
- O que aconteceu no litoral de Santa Catarina e por que o mar avançou tão rápido
- O fenômeno pode acontecer novamente e como os turistas devem interpretar os alertas
- O que turistas e moradores devem fazer quando houver alerta no litoral
A ocorrência chama atenção não apenas pelos estragos, mas porque levanta uma dúvida importante para quem pretende visitar praias brasileiras: é possível saber quando o mar pode avançar de maneira repentina? A resposta envolve compreender a diferença entre ressaca, tempestade e meteotsunami, acompanhar os avisos oficiais e reconhecer que as condições do mar podem mudar rapidamente, especialmente durante períodos de instabilidade atmosférica.
O que aconteceu no litoral de Santa Catarina e por que o mar avançou tão rápido
O episódio ocorreu por volta das 6h de segunda-feira, 21 de setembro, no Litoral Sul catarinense. Segundo informações divulgadas pela Defesa Civil e repercutidas pela Agência Brasil, o avanço repentino da água atingiu principalmente áreas de Jaguaruna, Laguna e Imbituba, com registros de alagamentos, areia acumulada nas vias, danos em edificações e barcos deslocados pela força da água. Em Laguna, pescadores tiveram redes e equipamentos arrastados, enquanto algumas embarcações foram deslocadas e posteriormente recuperadas. (Agência Brasil)
O chamado tsunami meteorológico ocorre quando determinadas condições atmosféricas conseguem provocar uma alteração rápida no nível do mar. No caso catarinense, análises de radares, satélites e marégrafos identificaram uma linha de instabilidade associada a rajadas de vento sul entre 60 e 90 km/h e a mudanças na pressão atmosférica. Essa combinação pode produzir ondas e oscilações do nível do oceano que avançam rapidamente sobre regiões costeiras, especialmente onde a configuração da costa favorece a amplificação do fenômeno. (Folha de S.Paulo)
O nome pode causar confusão, mas o meteotsunami é diferente do tsunami convencional. Um tsunami sísmico normalmente está relacionado ao deslocamento de grandes volumes de água provocado por terremotos submarinos ou outros eventos geológicos, enquanto o fenômeno meteorológico tem origem na interação entre atmosfera e oceano. A própria Epagri já documentou um episódio anterior na Praia do Cardoso, em Laguna, em 2023, explicando que pulsos de pressão e rajadas associados a linhas de instabilidade podem gerar ondas de maior amplitude por um mecanismo de ressonância.
O fenômeno pode acontecer novamente e como os turistas devem interpretar os alertas
Uma das maiores dificuldades relacionadas ao tsunami meteorológico é justamente a previsibilidade. Diferentemente de uma previsão simples de chuva, sua ocorrência depende da combinação bastante específica de fatores atmosféricos e oceânicos, o que reduz a capacidade de indicar com grande antecedência exatamente onde e quando o mar poderá avançar. Depois do episódio em Santa Catarina, a Defesa Civil informou que a chegada de uma massa de ar frio e seco reduziria, naquele momento, as condições favoráveis para uma repetição imediata do fenômeno. (UOL Notícias)
Isso não significa, entretanto, que o litoral tenha ficado automaticamente livre de riscos. O Instituto Nacional de Meteorologia havia previsto, para o período, a atuação de ciclone extratropical e frente fria capazes de favorecer tempestades e intensificar os ventos na Região Sul. A Marinha do Brasil também registrou aviso de ressaca entre Mostardas, no Rio Grande do Sul, e Laguna, em Santa Catarina, com ondas de sul/sudeste de 2,5 metros durante o período indicado no alerta de 23 de setembro. (Inmet)
Para o turista, a principal lição é que mar agitado, ressaca e tsunami meteorológico não são situações que devem ser avaliadas apenas pela aparência da praia. Um dia com céu parcialmente aberto pode coexistir com condições marítimas perigosas, especialmente quando existem avisos oficiais para ondas fortes, ventos ou tempestades. Antes de entrar no mar, praticar surfe, navegar, pescar ou permanecer próximo de costões e estruturas expostas, vale conferir as informações atualizadas da Defesa Civil, da Marinha e dos órgãos meteorológicos.
A recomendação ganha importância com a chegada da primavera. A Defesa Civil e a Epagri já apontavam, antes do episódio, um cenário de maior atenção para Santa Catarina durante setembro, outubro e novembro, com expectativa de chuvas acima do normal e maior frequência de tempestades severas em determinadas regiões. (Defesa Civil de SC) Para quem planeja uma viagem ao litoral catarinense, portanto, consultar a previsão meteorológica e os avisos marítimos deve fazer parte do planejamento, assim como verificar hospedagem, estradas e condições das praias.
O que turistas e moradores devem fazer quando houver alerta no litoral
A primeira atitude diante de um aviso de ressaca, tempestade ou mar muito agitado é evitar interpretar a mensagem como uma previsão genérica. Os alertas costumam indicar regiões, períodos e tipos específicos de risco, e essas informações podem mudar conforme a evolução do sistema meteorológico. A Marinha mantém avisos de mau tempo para diferentes áreas marítimas, enquanto os órgãos estaduais e municipais de Defesa Civil acompanham riscos específicos para a população em terra. (Marinha do Brasil)
Para quem está hospedado próximo à praia, isso significa evitar atividades diretamente expostas ao oceano quando houver recomendação oficial de restrição. A Defesa Civil de Santa Catarina, em orientações anteriores para situações de mar agitado, recomenda evitar navegação, pesca, esportes marítimos e banho de mar, além de manter distância da orla quando as ondas alcançam áreas como ciclovias e calçadões. (Defesa Civil de SC) O cuidado também vale para costões, molhes, pedras e outras áreas onde uma onda mais forte pode atingir pessoas de maneira inesperada.
Outro ponto importante é não transformar vídeos de redes sociais em fonte principal para decidir se uma praia está segura. Imagens ajudam a dimensionar um acontecimento depois que ele ocorre, mas não substituem informações meteorológicas atualizadas nem alertas oficiais. Em situações de instabilidade, condições locais podem mudar em poucas horas, e o fato de uma praia estar tranquila pela manhã não garante que continuará assim durante todo o dia.
Para os municípios costeiros, episódios como o de Santa Catarina também reforçam a importância do monitoramento permanente. A existência de marégrafos, radares, satélites e sistemas de comunicação permite cruzar informações sobre atmosfera e nível do mar, contribuindo para a identificação de fenômenos incomuns. A experiência registrada em Laguna e Imbituba mostra ainda como séries históricas são importantes: a Epagri já havia registrado um meteotsunami na região em 2023, demonstrando que o fenômeno, embora raro, não é totalmente desconhecido na costa catarinense.
O episódio do Litoral Sul de Santa Catarina deixa uma mensagem especialmente útil para quem ama praias: conhecer o destino também significa conhecer suas condições naturais. O litoral brasileiro oferece paisagens extraordinárias, mas o mar é um ambiente dinâmico, sujeito a ventos, correntes, ressacas e fenômenos meteorológicos pouco comuns. Para viajar com tranquilidade, a melhor prática é acompanhar as informações oficiais antes e durante a permanência na costa, respeitar os avisos e adiar atividades marítimas quando houver indicação de risco. Assim, a experiência de aproveitar praias como as de Laguna, Jaguaruna e Imbituba pode continuar sendo marcada pela beleza do litoral, sem transformar uma viagem de lazer em uma situação perigosa.
Fontes consultadas: Agência Brasil — explicação sobre o tsunami meteorológico em Santa Catarina · Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — previsão para o período · Marinha do Brasil — avisos de mau tempo · Defesa Civil de Santa Catarina — informações meteorológicas e marítimas · Epagri — registro técnico de meteotsunami em Laguna
